Associação São Lourenço

Ser criança na Associação São Lourenço

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Crianças da Associação São Lourenço
Lyvia Jardim

Thayná Luana Leite tinha oito anos de idade quando chegou à Associação São Lourenço, no distrito de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes.

A menina morena, de olhos fundos e castanhos, trazia junto com a bagagem sonhos de um futuro, de felicidade e principalmente, a vontade de ter uma família para chamar de ‘sua’.

Hoje com quinze anos de idade, Thayná, assim como muitas outras crianças, encontrou um lar na
Associação, que tal como a sua sede, na Itália, atende crianças e adolescentes em situação de abandono ou vício de drogas: ‘Minha vida antes de vir para a São Lourenço era muito diferente. Tinha dificuldades alimentares, familiares e na alma. Aqui, recebi uma educação cheia de valores bons, que vão além da crença católica adotada pela associação. Mais que tudo, hoje posso dizer que achei a minha família’, diz a sorridente Thayná, uma adolescente como tantas meninas da sua idade, que sonha em estudar Direito futuramente e dorme em um quarto decorado com fotos de ídolos como Taylor Lautner, o lobinho da cinessérie Crepúsculo e Pe Lanza, vocalista da banda de happy rock Restart.

Os irmãos Francesco e Stefano Alesso, amigos de Thayná, também vivem na Associação São Lourenço, até pelo fato de seu pai, Maurizio, ser o coordenador do local.

Assim como a amiga, os irmãos – ao todo, somam em treze, entre biológicos e adotivos – e parte da turminha que mora na Associação estuda no
Instituto Dona Placidina, tradicional colégio católico de Mogi das Cruzes.

Francesco, italianinho por nascença e primogênito dos Alesso, aos treze anos adora matemática e já pensa grande: ‘Quero ser advogado’, conta ele, que herdou dos pais o ar típico europeu e já visitou várias vezes sua terra natal.

O garoto e sua família mantêm uma rotina diária na Associação, como resume o irmão caçula de Francesco, Stefano, de onze anos de idade: “Acordamos cedinho, rezamos todos juntos, tomamos café e depois limpamos a casa ou fazemos alguma outra atividade, como informática ou horticultura. Depois, à tarde, vamos ao colégio e retornamos para a casa no fim da tarde”, explica ele, palmeirense fanático e fã de educação física.

As diferenças com os coleguinhas do colégio também foram lembradas pelo trio Thayná, Francesco e Stefano: “Há muita diferença. E não apenas por causa da nossa religião, como no jeito de agir, até mesmo na educação”, dizem, quase em coro.

E se as trajetórias da turma apontam para surpresas, assim como as histórias de vida de todos os seres humanos, a criançada parece concordar em um ponto: “Amamos a Associação São Lourenço. Viver aqui é muito bom, nos sentimos em casa. O que aprendemos, com certeza, levaremos para sempre”.

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